Alemanha Ocidental/Dortmund. Dentro de alguns dias, o apóstolo de distrito Rainer Storck vai ser aposentado e o apóstolo Stefan Pöschel vai assumir a liderança da Igreja Regional Alemanha Ocidental. A segunda parte da conversa é sobre os desafios inerentes às viagens pastorais. O apóstolo de distrito também tem algumas preciosas dicas de viagem para o seu sucessor.
É bom ter sempre pessoas que conheçam o país e o caminho. É importante termos água connosco. Outra coisa é chegar sempre antes do anoitecer ao seu destino ou ao final da etapa. Além disso, também dá jeito ter uma boa dose de humor e boa disposição quando se anda por caminhos desses.
Por vezes foi um pouco crítico, mas apesar dos países que servimos, na África Ocidental por exemplo, onde por vezes até tivemos de viajar com escolta policial, nunca tive a sensação de que as nossas vidas ou a integridade física estivessem em perigo. Houve realmente alguns caminhos difíceis por vezes, mas com a devida cautela e cuidado, sempre correu tudo bem.
Não. Tenho um registo de todos os serviços divinos que oficiei, mas apenas com a data, o local, a hora e a duração. Mas nunca fiz as contas. Talvez o faça quando me aposentar (riso).
O facto de ter sido bem recebido em todo o lado, o ambiente acolhedor, as emoções que vivi nas regiões africanas. O que constatei foi que não há diferença no que toca viver segundo o evangelho, mas a forma de ser novo-apostólico, essa difere. Mas não consigo nomear um acontecimento em particular.
Talvez um, estou a lembrar-me de um: ficou claro para mim que precisávamos de um apóstolo de distrito adjunto para a nossa maior área de trabalho, Angola. O apóstolo de distrito Brinkmann falava bem português, viajava pelo país cinco ou seis vezes por ano como apóstolo, e eu era um novato. O facto de termos conseguido implementar isso já em 2015, isto é, termos um apóstolo de distrito adjunto há nove anos, que me apoia e que também apoiará o novo apóstolo de distrito no futuro, é ótimo, foi muito bom.
(riso). Tenho a certeza que seria possível fazê-lo. Há algumas coisas aqui na administração, no arquivo Brauweiler, na administração em Luanda, e não sei quantas t-shirts e camisas que temos em casa. Penso que ainda daremos algumas das coisas a outras pessoas.
Os nossos irmãos e irmãs de fé em Angola são profundamente crentes. Talvez vivam a sua fé de forma diferente da nossa, aqui na Europa, e em condições de vida muito diferentes e muito mais simples, mas reconheci claramente: seja em África ou na Europa, é a obra de Jesus Cristo.
Tudo vem do fundo do coração, com muita intensidade. Muitas vezes só cantam uma voz, e dá para perceber: louvam e glorificam a Deus de todo o coração, com todo o ar que têm nos pulmões e com tudo o que as suas cordas vocais lhes permitem.
É uma área muito grande e de trabalho intenso, onde estão ativos dezassete apóstolos. Todos e cada um dos nossos irmãos e irmãs no ministério de apóstolo e também cada um dos nossos irmãos e irmãs noutros ministérios são aqueles com quem espero poder conversar e conhecê-los, a eles e às suas famílias. Por outro lado, também tenho a certeza de que se trata de uma tarefa gigantesca.
Provavelmente, não haverá nem aquele pão alemão muito escuro, nem a morcela alemã nestes países (riso). Em todo o caso, o que temos em comum é a espera pelo regresso do Senhor Jesus Cristo. É a orientação para o ministério de apóstolo, é o amor ao apóstolo maior. É isso que nos liga para além das fronteiras nacionais e continentais.
Bem, em primeiro lugar, só sou especialista em “alemão vestefaliano” e, como os vestefalianos não falam muito, também dá para disfarçar nas línguas estrangeiras (riso). Não, eu decidi mesmo aprender a falar português. Houve várias possibilidades interessantes: será melhor aprender francês, ou holandês?
A minha decisão completamente racional baseou-se, naturalmente, na questão: “com quantos irmãos e irmãs de fé consegues falar com uma língua estrangeira?” A resposta é que a grande maioria dos nossos irmãos e irmãs de fé nas Igrejas Regionais que temos a nosso cargo fala português. Assim sendo, a decisão foi fácil. Com todos os outros irmãos e irmãs posso falar em inglês, que é a língua de ligação número um e funciona em todo o mundo.
Ao fim de seis meses, já construí uma estrutura de base, mas apercebi-me de que o português europeu é diferente do português do Brasil. Graças a Deus, não tenho de aprender português do Brasil, mas foi isso que aconteceu ao princípio, comecei por aprender português do Brasil – o que significa que quando falava com irmãos e irmãs de fé em Angola em português do Brasil, eles olhavam para mim com tristeza porque não entendiam uma palavra.
É verdade: houve dias em que liguei o computador com as mãos a tremer e com medo do que me esperaria na minha caixa de entrada logo de manhã. No entanto, durante todo este tempo, tentei sempre colocar o trabalho pastoral em primeiro lugar. Para mim, isso significava que me esforçava por compreender o próximo e mostrar: tu és importante para mim, tal como todos os outros, e pertences à nossa Igreja. Nem sempre é possível, mas eu tentei. Não quero dar recomendações ao futuro apóstolo de distrito. Ele encontrará a sua própria forma de lidar com todas estas coisas.
O trabalho que eu fazia tinha naturalmente muitos aspetos administrativos. A gestão, ou administração, é relativamente comparável. Não há assim tantas diferenças.
De resto, é difícil comparar os conteúdos entre si. Aqui estamos a lidar com irmãs e irmãos de fé, com cristãos, com os nossos semelhantes, que devem estar no centro das nossas atenções. Apesar da importância que têm os números, processos e procedimentos, o foco principal não é esse. O que o meu Enviador espera de mim é algo mais do que a apresentação de balanços perfeitos. No dia do Senhor, eu imagino que me seja feita a pergunta: o que é que fizeste para que aqueles que te foram confiados ficassem protegidos e estarem hoje aqui sentados no salão das bodas?
A continuar ...
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