Alemanha Ocidental/Dortmund. Dentro de alguns dias, o apóstolo de distrito Rainer Storck vai ser aposentado e o apóstolo Stefan Pöschel vai assumir a liderança da Igreja Regional Alemanha Ocidental. A quarta parte da entrevista trata do futuro da Igreja Regional, da próxima geração de membros da Igreja e de um possível Dia da Igreja da Alemanha Ocidental.
Estamos a viver uma secularização cada vez maior da sociedade. Como cristãos, pelo menos na Alemanha, em breve estaremos em minoria. Esta minoria já quase não levanta a voz. Trata-se de um fenómeno. Normalmente, constatamos que as minorias são sempre mais barulhentas; só o cristão é que é muito, mesmo muito silencioso. Não queremos começar a fazer barulho como outros o fazem, mas queremos fazer ouvir os valores da nossa Igreja, que derivam do Evangelho, e queremos fazê-lo em conjunto com outras Igrejas cristãs.
Continuo a ter a convicção de que eventos como o Dia Internacional da Juventude, a comunhão no parque de diversões, são importantes e bons e que promovem a comunhão. Vê-se que os jovens ficam felizes, que falam sobre estes eventos durante muito tempo. No entanto, não é num parque de diversões que encontramos o incentivo para a juventude. Eles podem lá ir sozinhos, podem lá ir com a família. É na comunidade que encontramos esse incentivo para os jovens da nossa Igreja.
Existem muitas possibilidades para envolver mais os jovens que ainda não estão a ser exploradas: desde cumprimentar os irmãos e irmãs à porta da igreja até, por vezes, ajudar a contar as oferendas. Temos de permitir que os jovens se envolvam tanto quanto possível e não apenas em questões organizacionais. Temos de despertar o interesse neles em assumir tarefas de docente, assumir cargos; mas o foco principal continua a estar na comunidade. Podemos ter muitas ideias aqui na administração em Dortmund, o que importa é integrar os jovens nas comunidades deles. Este é o ponto mais importante de todos.
São as mesmas que outros irmãos e irmãs também têm. No que respeita a ministros e ao oficiar serviços divinos, as possibilidades são limitadas. Mas através da música, do dirigir do coro, dos grupos de trabalho dentro da comunidade, acho que será possível. Grupos de discussão e reuniões devocionais também podem ser organizados por irmãos ou irmãs sem cargo ministerial. Estas possibilidades ainda não estão a ser aproveitadas. Temos de as promover.
Tive uma juventude muito ativa na comunidade e no distrito. Isto mudou um pouco mais tarde, quando aceitei a primeira missão ministerial; a minha forma de olhar para a comunidade e para os jovens caracterizou-se por ainda mais oração e dedicação. Mas posso dizer que vivi uma juventude muito boa, no qual eventos como os seminários para jovens em Quelle e Hochdahl ou quintas de lazer para jovens como as de Darfeld e Schöller desempenharam naturalmente um papel importante. Isso era típico da nossa época. Foi nessa época que também fiz muitas amizades.
Acabei de o dizer para os ministros e ministras: é importante que continuemos sempre a concentrar-nos no conteúdo da nossa fé. Não devemos ficar só à superfície, cada um de nós, incluindo as crianças e os jovens em particular, pode e deve ir mais ao fundo da questão e ocupar-se com o conteúdo da sua fé. Esta será uma tarefa em que queremos criar oportunidades, mas também promover "apadrinhamentos" entre as gerações, em que as pessoas mais velhas podem falar sobre as suas experiências de fé, sobre preces atendidas, sobre desilusões nas suas vidas e transmiti-las às gerações seguintes.
O individualismo e o isolamento são tendências percetíveis em toda a sociedade. Mas não é nada que não possamos mudar. Talvez o local onde temos comunhão venha a ser diferente. Se no passado tendíamos a ter "grupos especiais", como os dos jovens ou das crianças, que se juntavam no distrito ou noutros contextos, penso que no futuro possa ser de forma a que as crianças e os jovens sejam mais incluídos na comunidade, que vivamos o conceito da comunidade de forma muito mais intensa: para todas as gerações.
Para mim, uma questão crucial é saber para onde caminha a nossa Igreja. Estamos a tornar-nos cada vez mais numa instituição que se ocupa com administração, que gere bens, que realiza negócios financeiros? Temos de voltar a ser a Igreja de Jesus Cristo, lembrar-nos que temos um Evangelho e olhar para além das coisas materiais.
O apóstolo maior falou sobre isso no Pentecostes. O que importa realmente? O que é mais importante para os irmãos e irmãs: o brunch a seguir ao serviço divino ou vivenciar um serviço divino? Temos de nos certificar de que voltamos a colocar os valores no seu devido lugar, o que, para mim, representa uma tarefa fundamental para a Igreja Regional e para a Igreja global em geral.
Isto pode não ser muito popular e nem toda a gente vai ficar contente e poderá dizer "pois, assim as crianças vão deixar de vir, não é isso a que estão habituadas na escola", mas vamos ter de aguentar isso. Talvez precisemos de nos concentrar mais na "atividade principal" que é o Evangelho e o regresso de Jesus Cristo. Dessa forma, os jovens também receberão respostas às suas perguntas.
Apóstolo Pöschel: concordo plenamente com o apóstolo de distrito. Concentremo-nos na nossa tarefa principal: vivamos de acordo com os princípios do Evangelho e levemos estes valores para a nossa família, comunidade, vizinhança e ambiente social. Não faz sentido olhar sempre para o tamanho de comunidades, idades médias, o número de crianças e jovens, a qualidade da música, a existência de um coro, etc.
Mesmo que se trate de uma comunidade pequena, onde todos estes pré-requisitos só estão disponíveis de forma limitada, ela tem a sua razão de existir desde que o Espírito Santo reine nela e os crentes deem o seu contributo pessoal. Para mim, é muito importante que vejamos as comunidades locais, mais do que antes, como uma comunhão espiritual e que a tornemos menos dependente do facto de o número de lugares de estacionamento ser suficiente ou de os bancos serem finalmente substituídos por cadeiras. Gostaria de ver mais modéstia nas comunidades da Alemanha Ocidental durante o meu tempo de atividade ministerial.
Apóstolo de distrito Storck: cá estaremos. Em que dimensão ou constelação, isso não sei. Não creio que seja necessário pensar noutras grandes fusões, porque seriam estruturas enormes que seriam quase impossíveis de gerir corretamente por um só apóstolo de distrito. Mas no que diz respeito à fé e às comunidades, tenho a esperança e a convicção fundamentada: porque é que os números não hão-de subir em vez de continuar a baixar?
Apóstolo Pöschel: Se substituirmos o termo "Igreja Regional" por "área de apóstolo de distrito", posso imaginar que, no continente africano, uma ou outra Igreja Regional, no verdadeiro sentido da palavra, se tornará ainda mais independente. No entanto, isto dependerá de vários factores. Portanto, é uma hipótese. De resto, gostaria de responder à pergunta sobre onde nos vejo daqui a dez anos, a partir da minha fé: esperemos que seja no dia do Senhor; se não, continuaremos a trabalhar para que o Senhor possa vir no dia seguinte.
Apóstolo Pöschel: bem visto, o tema não estava na ordem de trabalhos, mas foi um tema mencionado e falado: quais foram os reconhecimentos, quais as experiências dos que organizaram ou participaram? Ouvimos, sem dúvida, o apelo vindo de Karlsruhe: meus caros amigos no Nordeste e no Oeste, pensem nisso. Sim, de facto estamos a fazê-lo, mas ainda é muito cedo para especular sobre isso.
Vou vivenciar o serviço divino na comunidade de Issum (nota da redação: a comunidade de Rheinberg está atualmente a ser renovada). Toda a família estará lá no fim de semana seguinte e veremos como me aguentei nas minhas duas primeiras semanas como aposentado.
Apóstolo Pöschel: nessa segunda-feira vou preparar tudo e viajar para Dortmund, para a administração. Vamos assistir a um encontro comemorativo de despedida do nosso atual apóstolo de distrito da administração da Igreja, ainda que se manterá por perto. Por outro lado, será certamente também minha tarefa dirigir-me aos colaboradores e às colaboradoras aqui presentes e dar-lhes a segurança: as coisas vão continuar a correr tão bem como no passado.
Apóstolo de distrito Storck: desejo-lhe que continue como até agora, que tenha muita força, que não perca a esperança fundamentada e, acima de tudo, desejo-lhe saúde, o que é muito importante.
© Igreja Nova Apostólica Portugal